Europaradise

Parque Zoológico localizado em Montemor-o-Velho onde é possível encontrar mais de 500 animais que vivem o mais próximo do seu habitat natural.

A Meigal esteve no Europaradise, um Parque Zoológico localizado em Montemor-o-Velho onde é possível encontrar mais de 500 animais que vivem o mais próximo do seu habitat natural. O seu proprietário, Agostinho Pedro, um apaixonado por estes seres vivos, fez-nos uma visita guiada através deste espaço tão peculiar e falou-nos um pouco da sua história e do seu funcionamento.

O Europaradise foi fundado em 1997 mas antes da decisão de que se iria estabelecer em Montemor-o-Velho o seu proprietário pôs a hipótese de o abrir em França, onde esteve emigrado mais de 40 anos. Após regressar a Portugal e equacionar outros espaços, como foi o caso do Convento de Seiça, Agostinho teve conhecimento da existência de uma Quinta com mais de 700 anos de história e um espaço mais “selvagem” e não hesitou, acabando por fixar o Europaradise nesse mesmo local.

Agostinho conta-nos um pouco mais sobre a história deste espaço, onde existiu uma pedreira de onde foram retiradas algumas das Pedras para a construção do Castelo de Montemor e onde ainda existem os fornos onde se cozeu a cal para fazer a argamassa desse mesmo Castelo. A quinta teve uma proprietária que, por ser apaixonada por botânica, trouxe para o espaço, espécies de árvores que não existiam em Portugal, como é o caso do sobreiro dourado, vindo do Sul da Grécia. Segundo Agostinho ainda hoje o Parque tem árvores notórias como o eucalipto híbrido, proveniente da Austrália e o Carvalho cerquinho com 150 anos, que é uma árvore da flora mediterrânea que não se desenvolve, que vive em terrenos pobres e em sub-copa, ou seja, para não secar tem que estar debaixo de outra árvore. Destaca também os seus sobreiros, os mais velhos do país, com uma envergadura de quase 5 metros.

Quando lhe perguntámos como surgiu esta ideia, Agostinho responde que surgiu naturalmente e acrescenta: “Eu sempre vivi para os animais e nunca vivi deles. Eu entrego-me totalmente à causa animal porque se não já tinha abandonado há muito tempo. Se eu visse isto como um negócio, já tinha ido embora”.

O espaço trata-se de um parque e não de um jardim e foi o próprio proprietário que nos explicou a diferença “Um jardim Zoológico é um espaço numa cidade que o homem tem de construir de forma a adequá-lo aos animais que vai lá instalar. Um Parque Zoológico é um espaço na natureza que o homem tem de adaptar para os animais. Basta adaptar porque ele já existe. Só tem de retirar o menos possível de árvores ou o que quer se seja que esteja a impedir o bem-estar e segurança dos animais ou dos visitantes e deixá-lo o mais selvagem possível”, explica Agostinho. Acrescenta ainda que já lhe disseram de forma pejorativa que o Europaradise é a Selva, no entanto, para ele isto é um elogio pois considera que o espaço deve ser pensado para os animais e não para as pessoas. Natureza pura apenas adaptada à segurança das pessoas.

Os primeiros animais que chegaram ao Parque foram as Emas e os Casuares mas atualmente já são cerca de 520 animais que habitam no espaço, divididos entre mais de 120 espécies de aves e cerca de 80 espécies de mamíferos. O seu proprietário elege o Casuar como o animal mais exótico “uma espécie de dinossauro, da família das avestruzes” e refere que no Parque têm duas espécies de Casuares da Papua-Nova Guiné e o Casuar da Austrália ou Casuar Comum “que já não é assim tão comum quanto isso devido aos incêndios”.

O animal preferido de Agostinho, refere com carinho, é o Gibão de seu nome Annoy “porque é o único que tem uma espécie de diálogo comigo. Quando eu chego lá vem-me logo cumprimentar, dá-me um aperto de mão. Caminha de pé, parece que estamos a coabitar com uma criança”.

Quanto ao animal mais velho do Parque, o Gibão Chirac, com cerca de 60 anos, tem uma história de vida bastante impressionante. Chegou a França clandestinamente, foi apreendido e passou 20 anos num laboratório para fazer experiências, numa jaula de 2x2m. O Responsável do laboratório, um dia numa conversa de café com um amigo, falou-lhe da história do macaco e da sua frustração em não o poder libertar. Nesse preciso momento estava a passar na televisão uma notícia sobre as Amnistias Presidenciais Anuais e o amigo teve uma ideia fora do comum, contactar o Presidente, na altura Jack Chirac, e pedir-lhe que incluísse o macaco nas Amnistias. Conseguiram entrar em contacto com o Presidente através do seu motorista e nesse ano para além de 100 pessoas, foi incluído um macaco nas Amnistias Presidenciais Anuais.  

Agostinho contou-nos também a caricata história do início da sua parceria com a Meigal Alimentação. Um dia estava numa sucata de um amigo onde estava também o proprietário da Meigal Alimentação, o amigo apresentou-os e sugeriu a Agostinho: “Este senhor é que lhe poderia fornecer carne para os seus animais”. Algo a que assentiu e acabou por fechar negócio. Uma pequena sugestão que resultou numa parceria de décadas.

Respondendo à nossa curiosidade sobre o tipo de carne específico que dá aos seus animais Agostinho afirma “A carne mais pura e mais limpa de bactérias é a carne branca, seja de frango seja de peru”. Diz que começou por experimentar dar a carne de frango, mas posteriormente apercebeu-se que a de peru seria mais adequada aos seus animais.

Abordando o tema Covid-19 Agostinho Pedro refere que estiveram fechados e que reabriram no dia 19 de maio com medidas de proteção simples, por se tratar de um Parque Zoológico ao ar livre. Aconselham os visitantes a utilizarem máscara e pede-se o distanciamento social entre grupos mas apesar do Europaradise ser um espaço seguro os visitantes estão a regressar devagar “Ao princípio até tivemos muita gente pois as pessoas estavam fartas de estar em casa mas agora está a estagnar. Também fomos prejudicados porque trabalhamos muito com as escolas na primavera para colmatar a falta de visitas no inverno”.

Agostinho Pedro deixou o convite para todos visitarem este espaço, que é o maior Parque Zoológico da Península Ibérica, onde os animais estão o mais próximo do seu habitat natural.